O samba que vem do fundo do quintal
Silvio Essinger
Almir Guineto
Arlindo Cruz e Sombrinha
Beth Carvalho
Bezerra da Silva
Fundo de Quintal
Jorge Aragão
Jovelina Pérola Negra
Leci Brandão
Negritude Júnior
Raça Negra
Só Pra Contrariar
Zeca Pagodinho
Biografia e discografia:
Almir Guineto
Arlindo Cruz e Sombrinha
Beth Carvalho
Bezerra da Silva
Fundo de Quintal
Jorge Aragão
Jovelina Pérola Negra
Leci Brandão
Negritude Júnior
Raça Negra
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Está no dicionário: templo pagão asiático. Mas no Brasil, a palavra pagode passou a denominar também um tipo de festa "com comida e bebida, de caráter íntimo", na definição acadêmica do folclorista Câmara Cascudo. Em qualquer festa que se preze, porém, não pode faltar música alegre – e aí, naturalmente, entra o samba. Foi ele que fez do pagode uma das mais fortes tradições dos subúrbios do Rio de Janeiro. Um quintal guarnecido pela sombra das árvores, algumas caixas de cerveja, uns quitutes, um cavaquinho ali, mesinhas para se batucar... está formado o cenário para que os versadores e instrumentistas mostrem sua categoria, o público sambe animado e a tarde entre pela noite e a noite pela madrugada. Ao longo dos anos 70, quando os emergentes sambistas se viram diante do bloqueio das rádios e das próprias escolas de samba (reféns de um Carnaval comercializado), os pagodes se tornaram a melhor opção para que suas composições fossem ouvidas e divulgadas. Das mais famosas cantoras de samba da época (junto com Alcione e Clara Nunes), Beth Carvalho certo dia foi investigar o pagode do Cacique de Ramos e levou alguns daqueles compositores ainda desconhecidos para o seu disco de 1978, De Pé no Chão. Foi a partir daí que o Brasil tomou conhecimento de nomes como o grupo Fundo de Quintal dos compositores Arlindo Cruz e Sombrinha (Vou Festejar), os ex-Fundo Jorge Aragão (Coisinha do Pai) e Almir Guineto (que tirou terceiro lugar no festival MPB Shell, de 1981, com Mordomia), Zeca Pagodinho (Camarão que Dorme a Onda Leva), Jovelina Pérola Negra, Luiz Carlos da Vila (de Por um Dia de Graça, gravado mais tarde por Simone), entre outros. Astros desse novo samba, que rumava para o futuro com um sólido embasamento no passado, eles protagonizariam mais tarde, a partir de 1986 um dos movimentos de melhor resultado comercial da história da música brasileira: o pagode. Ironicamente, por uma contingência de marketing e mídia, a festa passou a emprestar seu nome à música que a anima. Coube ao Fundo de Quintal introduzir as inovações instrumentais e harmônicas do pagode em relação ao tradicional samba. Para reforçar o cavaquinho, Almir Guineto trouxe o banjo, que soa mais alto no meio da massa sonora. No lugar do pesado surdo, Ubirani pôs o leve e versátil repique de mão. Jorge Aragão, por sua vez, trouxe para os sambas as harmonias mais intrincadas, aparentadas da bossa nova (e, graças a suas sofisticadas letras, ficaria conhecido como O Poeta do Samba). Inicialmente divulgados por Beth Carvalho e outros nomes de destaque do samba, esses artistas em pouco tempo conquistaram luz própria. Nomes novos nas paradas Em carreira solo, Guineto foi um dos sambistas de maior sucesso dos anos 80 com músicas como o jongo Caxambu, Mel na Boca, Jibóia e Conselho. Ex-empregada doméstica, revelada em 1985 no LP Raça Brasileira (junto com Zeca Pagodinho, Elaine Machado, Mauro Diniz e Pedrinho da Flor), Jovelina Pérola Negra estourou Feirinha da Pavuna, Brincadeira Tem Hora e O Bagaço da Laranja. O ex-cantor de coco Bezerra da Silva também fez muito sucesso com sambas irreverentes, mas de alto teor de crítica social, como Defunto Caguete, Malandragem Dá Um Tempo, Bicho Feroz, recolhidos entre a sua equipe de compositores do morro. Zeca Pagodinho, por sua vez, ganhou a atenção popular com S.P.C., Casal Sem Vergonha, Judia de Mim e Coração em Desalinho. No meio da euforia consumista do Plano Cruzado, em 1986, os pagodeiros se mostraram excelentes vendedores de discos (sempre mais de 100 mil cópias por lançamento) e conquistaram seu quinhão na grande mídia: simplesmente não saíram do rádio e da TV (gravaram videoclipes e participaram até do programa de Natal de Roberto Carlos). De curtição exclusivamente suburbana, os pagodes (a música e a festa, com seus quitutes típicos) tornaram-se moda também nos bairros da elitista Zona Sul carioca e nos mais diversos recantos Brasil adentro. O ímpeto aos poucos diminuiu, com a conseqüente queda de poder aquisitivo do seu maior público consumidor – as classes menos abastadas. Logo, uma nova modalidade de samba, bem mais comercial e desvinculada das raízes, passaria a ser conhecida como pagode. Em São Paulo, no começo da década de 90, uma variação mais pop do samba-rock dos bailes deu as caras em músicas de bandas como o Raça Negra e o Negritude Júnior. Linha de montagem Esse pagode suingado, também conhecido como samba mauriçola (por causa da opção dos músicos pelos símbolos de status da classe alta – roupas finas, telefones celulares e namoradas louras) foi um dos grandes sucessos ao longo da década, com músicas de refrões fáceis e romantismo deslavado (não raro encomendadas a hitmakers profissionais), predominância de instrumentos eletrônicos e coreografias de gosto duvidoso. Como se houvesse uma linha de montagem, os grupos se multiplicaram por todo o país: Só Pra Contrariar (que teve seu nome tirado do título de música do Fundo de Quintal e bateu em 1998 a marca de três milhões de cópias vendidas de um único disco), Cravo e Canela, Ginga Pura, Razão Brasileira, Molejo, Exalta Samba, Soweto, Malícia, Os Morenos, Ki Loucura, Katinguelê, Art Popular, Karametade, Só No Sapatinho, Sensação, Toke Divinal e outros menos votados. Na Bahia, esse pagode foi relido com pitadas de ritmos locais como o samba-reggae e samba duro, por bandas como o Gera Samba (futuro É o Tchan) e Terra Samba. Mas o chamado samba de raiz, do começo do fenômeno pagode, viveu alguns bons momentos na segunda metade dos anos 90, com Zeca Pagodinho (que estourou músicas como Samba Pras Moças e Faixa Amarela), Martinho da Vila, Beth Carvalho e Bezerra da Silva, então convertido em culto entre as bandas de rock, que regravaram de Malandragem Dá um Tempo (Barão Vermelho e Planet Hemp) e Candidato Caô Caô (O Rappa). A tradição do samba foi resguardada com a descoberta (antes tardia do que nunca) de Walter Alfaiate, Wilson das Neves e das Velhas Guardas da Mangueira e da Portela (esta com disco produzido pela cantora Marisa Monte). Novos nomes do velho samba também apareceram: Dudu Nobre (cavaquinista da banda de Zeca Pagodinho, para quem compôs o sucesso Posso Até Me Apaixonar), Marquinhos de Oswaldo Cruz, Marquinho China e Renatinho da Abolição. Músicas Coisinha do Pai (Jorge Aragão) – Beth Carvalho Caxambu – Almir Guineto Só Pra Contrariar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Almir Guineto) – Fundo de Quintal Feirinha da Pavuna – Jovelina Pérola Negra S.P.C. (Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz) – Zeca Pagodinho Malandragem Dá um Tempo (Popular P., Adelzonilton e Moacyr Bombeiro) – Bezerra da Silva Essa Tal Liberdade – Só Pra Contrariar Posso Até Me Apaixonar (Dudu Nobre) – Zeca Pagodinho
Os doleiros Jadair Fernandes de Almeida e Raimundo Antônio de Oliveira foram presos nesta terça-feira, 23, pela Polícia Federal após denúncia do Ministério Público Federal de que tentavam sacar R$ 370 mil das contas bloqueadas pela investigação da Operação Castelo de Areia. Os recursos estavam envolvidos nos crimes financeiros da construtora Camargo Corrêa.
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A tentativa de movimentação financeira foi feita no dia 5 de junho, pouco mais de dois meses após a deflagração das operação pela Polícia Federal. Os valores estavam em contas do banco Unibanco. Segundo o MPF, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informou que Raimundo Oliveira tentou sacar o dinheiro da conta da empresa.
As contas estavam em nome da empresa Admaster, controlada e usada por Jadair Almeida, de acordo com o MPF, para simular as remessas de dinheiro ao exterior de diretores da Camargo Corrêa. Após a concessão de habeas corpus para os presos, a ação do MPF, da PF e da Justiça frusta uma tentativa de recuperar parte dos recursos financeiros.
"Assim que foi informada pelo Coaf, a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, responsável pelo caso, requereu e a Justiça determinou, o bloqueio e sequestro de todo e qualquer valor, bem como de quaisquer outros ativos e aplicações financeiras em nome de Almeida, Oliveira e da Admaster Serviços Ltda", diz a nota do MPF.
O pedido de bloqueio dos recursos e o pedido de prisão preventiva para os dois foram feitos pelo MPF e encaminhados ao juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo. No pedido de prisão, o MPF argumenta que os doleiros tentaram ocultar da Justiça valores que podem ser objetos das operações financeiras ilegais.
Por conta da tentativa de saque ilegal, o MPF ampliou a denúncia da Operação Castelo de Areia que já havia sido enviada à Justiça Federal. Agora, Raimundo Oliveira também é denunciado pelos crimes de evasão de divisas, fraude em contrato de câmbio, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.






















